WENCESLAU BRAZ - Café Capricho, uma marca de café produzido em Wenceslau Braz, no Norte Pioneiro, foi encontrada em um esquema criminoso de falsificação e adulteração na cidade de Goiânia, no estado de Goiás. O esquema foi descoberto pela Polícia Civil de Goiás em um depósito com diversos produtos que apontam para o crime. Junto com a marca, outras três também foram encontradas no local.
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O esquema estava sendo realizado no depósito da empresa Patrocínio Comércio de Cafés, localizado no Jardim Prudentópolis, na capital goiana. Segundo a Polícia Civil, as diligências começaram após diversas denúncias de impurezas em cafés que estavam sendo vendidos na cidade. Com isso, uma operação foi realizada na última quinta-feira (18), onde foram encontradas as marcas com cafés adulterados.
No local, foram encontrados sacos de fertilizantes reutilizados para armazenar café cru misturado com impurezas, como palha melosa, além de estoque de lenha e equipamentos utilizados para torrefação em condições precárias. De acordo com a corporação, as marcas encontradas, como o Café Modão, do Estado de São Paulo, Café Capricho e outras duas que não foram divulgadas, estão ligadas à mesma estrutura de distribuição.
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O delegado Humberto Teófilo, que está à frente da investigação, afirmou que nas embalagens encontradas consta que os cafés são produzidos no estado do Paraná, no caso do Café Capricho, e em São Paulo, o Café Modão, mas que estão sendo produzidos em Goiânia, de forma ilegal.
“Café Modão, diz que é fabricado em São Paulo, mas não, é fabricado aqui. Café Capricho é outro também, que aqui atrás diz que é fabricado no Paraná, mas encontramos as embalagens, lenhas, motosserra tudo aqui”, afirmou o delegado.
No vídeo, o delegado ainda abre um dos sacos de fertilizantes que são reutilizados para armazenar o café e mostra a qualidade dos grãos. Ele ainda mostra onde a mistura estaria acontecendo e, posteriormente, enviada às prateleiras de supermercados da cidade.
O delegado ainda comentou que encontrou alguns cafés da marca Café Modão em supermercados, e o que mais chamou a atenção foi o preço, que está abaixo dos outros em um valor mais acessível para os moradores.
Em resposta ao caso, três pessoas foram conduzidas à delegacia para prestar esclarecimentos e poderão responder por crimes de adulteração de gêneros alimentícios, crimes contra as relações de consumo, infrações sanitárias e eventuais delitos ambientais, sendo elas o atual responsável técnico, o trabalhador da contabilidade e administrador da empresa.
Além disso, um inquérito policial foi instaurado para apurar a responsabilidade dos sócios, administradores e responsáveis técnicos da empresa, garantindo a proteção do consumidor e a punição dos envolvidos.
Empresa brazense contesta acusação
Apesar das afirmações do delegado, Adriano Gomes Correa, proprietário do Café Capricho e morador de Wenceslau Braz, disse que tudo não passa de um mal entendido, e que a marca não tem relação alguma com as adulterações.
Em entrevista com a reportagem da Folha, Adriano contou que vendeu um equipamento para a Patrocínio Comércio de Cafés há cerca de três meses. Ele afirmou que levou o equipamento até Goiânia, e realizou alguns testes com embalagens do Café Capricho para mostrar o funcionamento.
Segundo ele, o pacote encontrado pelo delegado trata-se do teste que foi realizado. Durante a entrevista, Adriano afirmou que a marca não tem relação alguma com o caso, e que não há provas de que haja uma adulteração da marca.
“Não vendemos café para Goiânia e tenho provas disso. A única coisa que aconteceu foi que eu vendi a máquina para eles e usei minha embalagem antiga para mostrar que estava tudo certo com o equipamento”, afirmou.
Adriano está na capital goiana desde a última segunda-feira (22), acompanhando o caso. Ele contou que ainda não teve acesso completo ao inquérito e ao boletim de ocorrência, mas afirmou que a proprietária da Patrocínio Comércio de Cafés também saiu lesada na situação.